De Barretos para o mundo: a fábrica de peões

Rodeio Júnior e Liga Nacional ajudam jovens competidores a percorrer um caminho que pode terminar nas principais arenas dos Estados Unidos

27/08/2026

De Barretos para o mundo: a fábrica de peões

Rodeio Júnior e Liga Nacional ajudam jovens competidores a percorrer um caminho que pode terminar nas principais arenas dos Estados Unidos (Pagina Liga Nacional de Rodeio)


Quando Silvano Alves chegou a Barretos pela primeira vez, em 2005, desembarcou de ônibus carregando uma bolsa. Mais de duas décadas depois, voltou ao Parque do Peão acompanhado da família e com três títulos mundiais da PBR no currículo.


A história contada pelo próprio competidor durante a coletiva do Barretos International ajuda a explicar uma preocupação que apareceu diversas vezes entre dirigentes e campeões do esporte: quem serão os próximos brasileiros a percorrer esse caminho? Parte da resposta pode estar dentro do próprio Parque do Peão.


Há mais de três décadas, Barretos mantém o Rodeio Júnior, competição criada para dar espaço aos jovens que estão começando no esporte. Segundo os organizadores, competidores revelados ali já avançaram para as principais arenas brasileiras e chegaram também aos Estados Unidos.


Nesta edição, a competição volta a reunir jovens atletas e já existe ligação direta com a geração que começa a aparecer entre os profissionais: um dos competidores que chegou à final da Liga Nacional de Rodeio foi citado durante a coletiva como atleta revelado pelo Rodeio Júnior.


O trabalho continua na Liga.

Presidida por Marcos Abud, a competição percorre diferentes regiões do país buscando justamente dar oportunidade para que novos nomes consigam chegar a Barretos.


A partir daí, a possibilidade pode ultrapassar as fronteiras brasileiras.

Um dos exemplos é João Ricardo Vieira. Antes de conquistar espaço entre os principais nomes do rodeio mundial, o brasileiro também passou por esse caminho. Em 2019, representou a Liga Nacional no The American, nos Estados Unidos, e saiu de lá campeão.


“Eu vejo esses meninos novos com chance de participar novamente e ter a possibilidade de ir para lá. Isso é uma grande coisa, dar oportunidade para eles de todo o Brasil participarem de um rodeio como Barretos, que é o sonho de todo competidor”, afirmou João.

O relato encontra respaldo no que dirigentes e competidores vêm observando fora do país.


Durante a coletiva, o Brasil foi chamado de “celeiro de exportação de atletas de touros”, em referência à quantidade de competidores que deixam as arenas nacionais para construir carreira nos Estados Unidos.

Os resultados ajudam a sustentar essa reputação. Adriano Moraes, Silvano Alves e Cássio Dias estão entre os brasileiros que conquistaram títulos mundiais da PBR, enquanto João Ricardo Vieira construiu uma das carreiras mais longevas do país no circuito norte-americano.


Segundo representantes do rodeio presentes na coletiva, existe atualmente inclusive uma demanda por novos competidores nos Estados Unidos, o que torna a formação das próximas gerações ainda mais relevante.


E o processo começa cedo.

Ao convidar o público e a imprensa para acompanhar o Rodeio Júnior, os organizadores destacaram que aquelas montarias acontecem longe da estrutura e da visibilidade dos grandes campeões, mas podem representar o primeiro passo da mesma trajetória.


É justamente essa ligação entre gerações que Barretos tenta manter.

De um lado estão nomes como Silvano Alves e João Ricardo Vieira, que saíram do Brasil e conquistaram espaço nas maiores competições do mundo. Do outro, jovens ainda desconhecidos disputam suas primeiras oportunidades.


Entre eles existe uma estrutura de campeonatos nacionais que tenta transformar talento em carreira.


Para alguns desses jovens, chegar à arena principal de Barretos já representa a realização de um sonho. Para outros, pode ser apenas o começo do caminho até os Estados Unidos.